Fields Of The Nephilim – Requiem Xiii 33 (le Veilleur Silencieux)
Uma música que nos últimos dias passa repetidamente cá por casa. Deve ser ouvida e lida com muita atenção. Talvez ao longo dos anos a vá compreendendo melhor.
um blog sobre literatura
Fields Of The Nephilim – Requiem Xiii 33 (le Veilleur Silencieux)
Uma música que nos últimos dias passa repetidamente cá por casa. Deve ser ouvida e lida com muita atenção. Talvez ao longo dos anos a vá compreendendo melhor.
À falta de um leitor de e-books, sempre que saio de casa tenho levado um tijolo no saco. Mais de 1000 páginas de boloñamia não são pêra doce para quem se aventura a ir para as praias da Costa da Caparica e, pelo caminho, tem de apanhar vários transportes. Vai daí, resolvi ontem o problema,

O José Costa e a Lizzie andam agora comigo a passear por Lisboa. Travarei conversa com Morini, Espinoza e Norton quando estiver apenas por casa.
Ia tendo um biribaque quando li que o José Mário Silva precisava de um leitor de e-books. Lá para o meio explicou a necessidade deste gadget, deixando-me mais descansada,
Para fazer download das obras que me interessam mas não faço questão de ter nas prateleiras, claro. Mas sobretudo para evitar um crime ecológico: a impressão, em resmas de folhas A4, dos ficheiros pdf com que as editoras revelam aos críticos literários os romances que só vão para a gráfica umas semanas depois. [continuar a ler]
Já Miguel Esteves Cardoso, na coluna que assina diariamente no Público, provocou-me mesmo o biribaque com o seguinte texto:
Já tenho o meu leitor de ebooks, um BeBook, há quase um ano. Ao fim do segundo dia já não passava sem ele. É leve mas leva 4 GB de livros, revistas e textos – o suficiente para 40 mil horas de leitura furiosa. Só é preciso recarregar a pilha de cinco em cinco dias. Nunca aquece nem pisca.
Como o ecrã é preto sobre cinzento lê-se facilmente à luz do sol mais brilhante. E pode-se ler quanto se quiser sem cansar os olhos. Tudo coisas que os portáteis e os telemóveis não conseguem fazer. O BeBook não serve para nada senão para ler.
É como ler fotocópias a preto e branco em meia página A4. Borra as fotografias, mas o tipo de letra pode-se substituir e aumentar. Não é bonito nem fofo nem cheira a tinta. Mas lê-se muito bem. Só é preciso gostar de ler. Quando se fica minimamente absorto esquece-se o que se tem na mão. E é essa a ideia de ler, ou não? [retirado daqui]
Não, não é a ideia. Ler implica o esquecimento do que nos rodeia porque para além do que estamos a ler, temos nas mãos o objecto livro que nos transporta para esse mundo distante da literatura. Ler num e-book não pode ser a mesma coisa, não deveria ser a mesma coisa. Um e-book serviria apenas para ler os artigos que vou encontrando na internet e que a maior parte das vezes acabo por imprimir, contribuindo para a poluição do ambiente. Para ler um livro? Nao, obrigada.

Não é só o Pedro Mexia que não se priva de utilizar o verbo Foder. Mónica Marques emprega-o ainda melhor, ou parafraseando os gaúchos, de uma maneira mais gostosa. E agora vou descansar com a Transa Atlântica, depois de uma manhã muito dura no dentista.

When my dentist touches my hair
It’s like a love affair
“Annie Hall” (1977), Woody Allen
I thought of that old joke: This guy goes to a psychiatrist and says, ‘Doc, my brother’s crazy, he thinks he’s a chicken.’ And the doctor says, ‘Well why don’t you turn him in?’ and the guy says, ‘I would, but I need the eggs.’
Well, I guess that’s pretty much now how I feel about relationships. They’re totally irrational and crazy and absurd, but I guess we keep going through it because most of us need the eggs. Woody Allen
Por cá, prevê-se a chegada às livrarias do terceiro volume da trilogia Millenium – A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, de Stieg Larsson – no dia 7 de Julho. Os espanhóis podem começar já a ler La Reina en el palacio de las corrientes de aire amanhã. É isso mesmo: amanhã. Nós só temos de esperar mais 20 dias. E as capas da edição espanhola ainda aumentam mais o síndrome da abstinência do 3º volume,

500.000 exemplares é a tirada inicial da editora espanhola Destino. Mas a coisa não acaba por aqui: La Vanguardia apresenta uma edição especial sobre o culto que se gerou à volta desta trilogia e de Stieg Larsson. Essa, pelo menos, está à distância de um clique.
No rascunho podem ler a recensão que escrevi sobre o 1º volume.

Há uns tempos escrevia eu no twitter que já sou lisboa. 9 meses por cá e ainda não consegui explorar devidamente a cidade como ela merece – 2009 não acabará sem eu a descobrir mais um bocadinho, seguindo de perto o olhar de Fernando Pessoa, no seu Lisboa.
Hoje, no meio de uns textos sobre o jornalismo cultural, descobri a resposta à minha inquietação sobre o súbito amor à cidade. O orador é Italo Calvino, no seu Cidades Invisíveis, que já pertence à minha pequena biblioteca,
De uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas as repostas às nossas perguntas.
Um dia, por mero acaso, veio parar-me às mãos O Verão Selvagem dos Teus Olhos de Ana Teresa Pereira. Mal chegou, partiu logo de seguida. Ficaram o nome da autora e o pequeno resumo que li na contracapa. Nunca mais me esqueci desta autora que volta e meia tenta aliciar-me nas livrarias. E, eu, nestas coisas da literatura, sou fraca, bem sabem. O 2666 de Bolaño aconselhou-me alguma prudência, relembrando-me que a minha leitura ainda é longa – 1000 páginas das 1200 ainda me aguardam.
Na internet, vou lendo umas coisas sobre esta autora obscura,
AINDA há autoras discretas, que não se promovem nem deixam muito que as promovam. Não caem nas malhas das estratégias de mercado a caminho do «best-seller», não aparecem em «cocktails» literários nem embarcam em «capelinhas». Ana Teresa Pereira é exemplo de tudo isto.
Imagine-se que, lá na sua ilha da Madeira, se limita a escrever, e a enviar-nos os livros para que individualmente os descubramos nas livrarias. Nasceu no Funchal, em 1958, deixou o estudo da Filosofia para se dedicar à prática das Letras, tem já uma longa e variada carreira. [continuar a ler]
De o Verão Selvagem dos Teus Olhos, o pequeno excerto que me conquistou,
E pergunto a mim mesma se a eternidade será isto, recordar uma e outra vez, um vestido, um beijo, um dia de Outono, a primeira neve, os meus cães. As coisas essenciais. O nome das rosas e as frases dos livros, o tempo em que alguém nos amou, o jardim que fizemos com as nossas mãos.
Estão a preparar o baile. Já passou um ano e estão a preparar o baile de máscaras, como se nada tivesse acontecido. Como se a dona da casa não tivesse morrido.
É Danny que organiza tudo, e parece fazê-lo com uma alegria quase selvagem. A princípio achei estranho, porque ela sente a minha falta mais do que ninguém.
Eu estava na galeria quando ela levou a rapariga a ver o retrato de Caroline. E então percebi que tinha um plano.
Na imprensa encontram-se pontualmente algumas críticas quando sai um novo livro. De resto, mal se ouve o nome desta escritora. Não me parece que este obscurantismo seja alguma manobra de marketing, caso contrário, a autora já teria mudado de estratégia. O que sei, mesmo desconhecendo por completo a sua obra, é que me agrada. E isso basta-me.

É uma prazer cada vez mais insubstituível viajar uma vez por mês até ao Norte do país. Em 30 dias consigo apenas “parar” quando pego na mochila e parto em direcção ao sol tímido dos sábados e domingos lá de cima, aos almoços e jantares com os meus, aos cafés com os amigos, ao cinema, à Brasileira e a tudo o mais que surgir.
Desta vez, apesar de levar um Munch da Taschen na mochila e umas edições atrasadas de uns jornais, só o 2666 de Roberto Bolaño me captou a atenção, vencendo o sono em atraso e o corpo privado de cafeína. Já tinha dado conta no absurdo da minha compra de 2666, mas só agora, depois de despachar Uma Pequena História do Mundo, de E. H. Gombrich, e Wrong about Japan, de Peter Carey, é que me entreguei às deambulações de Jean-Claude Pelletier, Piero Morini, Manuel Espinoza e Liz Norten. Não me lembro de ler algo tão cinematográfico nos últimos tempos. 2666 lê-se como se estivéssemos numa sessão de cinema a seguir avidamente os quatro archimboldianos na procura de um enigmático escritor alemão. Faz-me recordar O Jogo do Mundo de Córtazar – livro que tenho de reler obrigatoriamente. Fica para já uma das passagens que me arrancou uma valente gargalhada,
A veces pensaba que Pelletier era un amante más cualificado. Otras veces pensaba que era Espinoza. Observado el asunto desde fuera, digamos desde un âmbito rigurosamente académico, se podría decir que Pelletier tenía más bibliografia que Espinoza, el cual solía confiar en estas lides más en el instinto que en el intelecto, y que tenía la desventaja de ser español, es decir de pertenecer a una cultura que muchas veces confundia el erotismo com la escatologia y la pornografia com la coprofagia, equívoco que se hacía notar (por su ausência) en la biblioteca mental de Espinoza, quien había leido por primera vez al marqués de Sade solo para contrastar (y rebatir) un artículo de Pohl en donde éste veía conexiones entre “Justine y La filosofia en el boudoir” y una novela de la década del cincuenta de Archimboldi.
Pelletier, en cambio, había leído al divino marqués a los dieciséis años y a los dieciocho había hecho un ménage à trois con dos compañeras de universidad y su afición adolescente por los cómics eróticos se había transformado en un adulto y razonable y mesurado coleccionismo de obras literarias licenciosas de los siglos XVII y XVIII. Hablando en términos figurados: Mnemósine, la diosa-montaña y la madre de las nueve musas, estaba más cerca del francés que del español. Hablando en plata: Pelletier podía aguantar seis horas follando (y sin correrse) gracias a su bibliografía mientras que Espinoza podía hacerlo (corriéndose dos veces, ya veces tres,y quedando medio muerto) gracias a su ánimo, gracias a su fuerza.
Houve um dia em que nos deitamos para conversar sobre o amor. Foi ao som de Silver Jews que dissecamos relações passadas, recordamos amores não correspondidos e adivinhamos os próximos. Os amores dele são todos muito racionalizados, pensei eu. Se ela avança, ele avança, se ela recua, ele recua. Os meus amores são excessivamente violentos, analisou ele. Se ele avança, eu avanço, se ele recua, eu avanço. Eu pensei: o amor não terá de ser assim? urgente, violento, vivido com todo o nosso ser? Ele pensou: o amor tem de ser comedido, pensado, doseado convenientemente, para evitarmos a dor excessiva. O dia começou a nascer, ele levantou-se e saiu, eu continuei no mesmo sítio, à espera que o pianista tocasse as primeiras notas.
Na minha primeira casa lisboeta arrendada, aos sábados de manhã, o som apuradíssimo de uma guitarra costumava entrar-me pela janela da cozinha, transportando-me invariavelmente para o universo Pink Floydiano. À saudade, mas que saudade da música que saía daquela guitarra e me coloria o dia.
Final de Outono e um começo de Inverno. Eu, provavelmente, cruzei-me com o músico(a) misterioso(a), sem nunca saber que era ele(a), mas sempre a pensar: serás tu?
No meu último dia na minha primeira (e esperemos última) casa de anões, praguejei os cinco andares que durante 4 meses me endureceram as pernas e despedi-me do músico que me animou muitos dias, sem nunca saber quem era e porque subitamente deixou de tocar tantas vezes. Mas despedi-me dele. E ele sabe-o ou ela sabe-o.
Não me mudei para outra casa de anões, não senhor, quem cai uma, não cai duas. E como seria muito complicado estar à procura de um apartamento onde morasse também um músico, escolhi um que tinha uma árvore plantada a escassos metros do meu quarto. Morar com uma árvore que todos os dias lutará mais um pouco para entrar no quarto com os seus longos ramos e ocupar o espaço que é dela bastou-me para apaziguar a perda da música Pink Floydiana.
Tal não é o meu espanto, quando no dia seguinte à primeira noite no quarto onde uma árvore se prepara para entrar, oiço o som de um piano – belo, belo, belo.
Não me custou nada conciliar a presença de uma árvore e de um pianista que não pára de tocar. E, desta vez, eu sei que é um ele que gosta de se levantar cedo e esperar por mim para começarmos: ele no piano, eu na poesia. Ele não sabe que eu o oiço, nem sabe que costuma esperar que eu acabe o meu pequeno-almoço para ler alguns poemas antes de começar a viver plenamente mais um dia. Também não sabe que no dia em que eu deixar de ouvir o piano, não voltarei a ler poesia da mesma maneira.
Instante, de Wislawa Szymborska, está quase lido (e a caminho de relido) entre viagens de autocarro e as músicas dos First Aid Kit (Who doesn’t love a girl that smells like Tangerine?). É com “o primeiro amor” de Szymborska que vos deixo,
O primeiro amor
Dizem
que o primeiro amor é o mais importante.
É muito romântico,
mas não é o meu caso.
Algo entre nós houve e não houve,
deu-se e perdeu-se.
Não me tremem as mãos
quando encontro pequenas lembranças,
aquele maço de cartas atadas com um cordel,
se ao menos fosse uma fita.
O nosso único encontro, passados anos,
foi uma conversa de duas cadeiras
junto a uma mesa fria.
Outros amores
continuam até hoje a respirar dentro de mim.
A este falta fôlego para suspirar.
No entanto, sendo como é,
não lembrado,
nem sequer sonhado,
consegue o que os outros não conseguem:
acostuma-me com a morte.
Wislawa Szymborska

Hoje passei parte da tarde na Feira do Livro de Lisboa. Há uns tempos, escrevia o Hugo que não se reconhecia nas ruas de Lisboa. Eu, que já vivo por cá desde Outubro de 2008, sempre me reconheci nestas ruas lisboetas que desde o primeiro momento senti que me pertenciam, até mais do que as de Braga.
Não posso, contudo, deixar de admitir que se pudesse trocava a Feira de Lisboa pela de Braga. No absurdo dei conta ao longo de três anos dos cheiros, cores e sabores da Feira bracarense. Não me eram estranhos os rostos por detrás das barraquinhas e já sabia de olhos vendados onde estavam todas as editoras – o que não é espantoso, tendo em conta o número de participantes.
Foi custoso andar por ali à procura da minha Relógio d’Água, Fenda, Cotovia e Antígona. Pelo meio, ainda passei pela Praça Leya, de onde saí em linha recta. Levei ainda permanentemente com o cheiro de pipocas e churros. Terei eu também de dar uma oportunidade a esta Feira, de aprender a conhecer-lhe os cantos, os sabores e odores?
Na mochila não veio muita coisa. Na semana passada, comprei o Miró, da Taschen (não deixem de aproveitar as edições dos 25 anos) e chegou-me pelo correio Wrong about Japan de Peter Carey. Mas tal como no Dia Mundial do Livro, a Feira do Livro não é Feira do Livro sem trazer qualquer coisinha. Vieram os Ensaios de Montaigne e o Instante de Wislawa Szymborska (na imagem). O primeiro que custa perto de 30 euros nas livrarias, veio por 7,5 euros e o segundo veio apenas 2,5 euros. Estou arrependida de não ter comprado alguns livros da Gulbenkian que estavam quase a metade do preço. Talvez ainda dê lá um salto e descubra a barraquinha da Tinta-da-China. Onde é que a puseram? E podia ter trazido mais um livro da Wislawa Szymborska. E do Jorge Gomes Miranda porque também estavam a 2,5 euros. E queria A Pele da Cultura de Derrick Kerckhov. Tenho mesmo de lá regressar. Depois, só comprarei livros no próximo ano.

Sentia o mais intenso dos impulsos para romper com tudo. Deliberadamente, fechei-me em mim mesmo. A música, a noite e as estrelas começaram a desempenhar um papel cada vez mais importante nos meus quadros. Miró
O absurdo comemorou o 3º aniversário no dia 27 de Abril. É com a bailarina de Miró que celebro o acontecimento, mesmo com o absurdo quase moribundo – não desiste de respirar, o sacana. por cá continuarei.
Depois de assistirmos ao concerto da nossa vida, como é que nos levantamos no dia seguinte? Não sei.
(Roberto Bolaño, por Eulogia Merié – El País)
Dia Mundial do Livro não é Dia Mundial do Livro sem comprar um livro (imaginem como será complicado para os que consideram todos os dias mundiais do livro). Li tanto na imprensa estrangeira sobre o 2666 de Roberto Bolaño que não resisti em comprar a edição espanhola. Por cá já temos editados Os Detectives Selvagens deste escritor chileno, mas ao que parece o 2666 é que ensandeceu os EUA na última temporada. Leiam lá um bocadinho e já percebem porquê,
La primera vez que Jean-Claude Pelletier leyó a Benno von Archimboldi fue en la Navidad de 1980, en París, en donde cursaba estudios universitarios de literatura alemana, a la edad de diecinueve años. El libro en cuestión era D’Arsonval. El joven Pelletier ignoraba entonces que esa novela era parte de una trilogía (compuesta por El jardín, de tema inglés, La máscara de cuero, de tema polaco, así como D’Arsonval era, evidentemente, de tema francés), pero esa ignorancia o ese vacío o esa dejadez bibliográfica, que sólo podía ser achacada a su extrema juventud, no restó un ápice del deslumbramiento y de la admiración que le produjo la novela. A partir de ese día (o de las altas horas nocturnas en que dio por finalizada aquella lectura inaugural) se convirtió en un archimboldiano entusiasta y dio comienzo su peregrinaje en busca de más obras de dicho autor. No fue tarea fácil. Conseguir, aunque fuera en París, libros de Benno von Archimboldi en los años ochenta del siglo XX no era en modo alguno una labor que no entrañara múltiples dificultades. En la biblioteca del departamento de literatura alemana de su universidad no se hallaba casi ninguna referencia sobre Archimboldi. Sus profesores no habían oído hablar de él. Uno de ellos le dijo que su nombre le sonaba de algo. Con furor (con espanto) Pelletier descubrió al cabo de diez minutos que lo que le sonaba a su profesor era el pintor italiano, hacia el cual, por otra parte, su ignorancia también se extendía de forma olímpica. Escribió a la editorial de Hamburgo que había publicado D’Arsonval y jamás recibió respuesta. Recorrió, asimismo, las pocas librerías alemanas que pudo encontrar en París. El nombre de Archimboldi parecía en un diccionario sobre literatura alemana y en una revista belga dedicada, nunca supo si en roma o en serio, a la literatura prusiana. En 1981 viajó, junto con tres amigos de facultad, por Baviera y allí, en una pequeña librería de Munich, en Voralmstrasse, encontró otros dos libros, el delgado tomo de menos de cien páginas titulado El tesoro de Mitzi y el ya mencionado El jardín, la novela inglesa. La lectura de estos dos nuevos libros contribuyó a fortalecer la opinión que ya tenía de Archimboldi. En 1983, a los veintidós años, dio comienzo a la tarea de traducir D’Arsonval. Nadie le pidió que lo hiciera. No había entonces ninguna editorial francesa interesada en publicar a ese alemán de nombre extraño. Pelletier empezó a traducirlo básicamente porque le gustaba, porque era feliz haciéndolo, aunque también pensó que podía presentar esa traducción, precedida por un estudio sobre la obra archimboldiana, como tesis y, quién sabe, como primera piedra de su futuro doctorado.
1123 páginas para ler nos próximos tempos. Tendo em conta que a minha média de leitura diária não tem ultrapassado os 30 minutos, provavelmente só para o ano é que acabo.

15 anos após a morte de Agostinho da Silva, redescobri-o no YouTube. Em mim, já guardo Sete Cartas a Um Jovem Filósofo. Preparo-me para ser todos os outros livros de Agostinho da Silva que ainda não li – e como custa a espera, doem-me todos os livros do mestre que ainda não sou. Ele é o português que marcou a segunda metade do século XX. (a primeira metade pertence a Fernando Pessoa). Deixo aqui apenas um dos muitos vídeos que existem do ensaísta quando esteve presente nas Conversas Vadias, que passavam na RTP1.
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