Skip to content

(ii) das leituras dos tempos que correm, sobre o amor

January 1, 2010

– Não! É inútil evitares-me.
– Eu não te evito, Carlo!
– Evitas-me! E, no entanto, temos de falar , como antes quiseste falar tanto, em vez de me amares como eu te amava.
– E como devia eu amar-te, Carlo? Em silêncio, deixando-me adorar como uma estátua?
– Mas o amor é mistério, silêncio. Em silêncio eu venerava-te. Bastava-me olhar para ti para ser feliz dias a fio. Não precisava de falar. O amor é um milagre e, como tal…
– O amor não é um milagre, Carlo, é uma arte, um ofício, um exercício da mente e dos sentidos como outro qualquer. Como tocar um instrumento, dançar, fabricar uma mesa.
– Tu queres dizer o sexo.
– E não é amor, o sexo? O amor e o sexo são filhos um do outro. O que é o amor sem sexo? Uma veneração de estátuas, de Virgens. O que é o sexo sem o amor? Apenas uma batalha de orgãos genitais.
– Mas então tu negas a substância imaterial do amor? Negas a sua espontaneidade e o facto de ser mais autêntico, puro, milagroso, quanto mais nascer espontâneo.

(Goliarda Sapienza, A Arte da Alegria)

2 Comments leave one →
  1. January 2, 2010 4:25 pm

    gostei🙂 beijinho – obrigado pelo regresso e, já agora, bom ano

  2. January 3, 2010 10:57 am

    bom ano😉

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: