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o poeta obscuro

December 22, 2007

não sei se Herberto Helder quer construir (ou tem vindo a construir) propositadamente um mistério à volta da sua pessoa ou se é mesmo assim. pouco me interessa. adoro que ele seja assim. intratável, como dizem uns. ou antipático, como dizem outros. que recuse entrevistas e fotografias, soa-me bem. por agora parece-me que ele é mesmo assim: genuíno. e ainda bem. meu Deus faz com que ele continue sempre um poeta obscuro.

7 Comments leave one →
  1. December 23, 2007 9:55 am

    Acredito que se possa ser genuinamente assim, mas se assim é, porque publicar a sua obra e não ficar com ela na gaveta? Independentemente dos adjectivos que se possam arranjar, eu acho que essa sua postura faz parte de uma certa forma de “marketing”, digamos assim, ou seja, estar contra a corrente é ainda uma forma de estar na corrente. Ele acaba por atrair sobre si a atenção de tanto não querer atenção…

  2. December 23, 2007 11:56 am

    Acho que é preciso fazer uma distinção entre o poeta e a pessoa. Embora eu já tenha referido em alguns posts o quanto me custa separar o homem da obra (quando conheço aspectos biográficos do criador) neste caso particular, parece-me que Herberto Helder quer apenas mostrar a sua poesia.

    Acaba por funcionar como estratégia de marketing ainda que ele não o queira. Mas não sei até que ponto, ele beneficia assim tanto disso. Não é muito divulgado, não é nenhum best-seller, passa completamente despercebido à maior parte dos cidadãos. Há no meio (muito restrito) alguma admiração e mistério mas a grande parte dos portugueses não sabe sequer quem é o poeta. Não é um autor de massas, aliás, qualquer poeta actualmente vivo não é um poeta de massas. E mesmo os mortos… Se fosse por estratégia de markting, acho que ele beneficiaria mais se desse entrevistas, etc…

    A mim parece-me genuíno. E o facto de ter recusado em 1994 o Prémio Pessoa, é uma prova inabalável disso. É preciso muita coragem e muita força interior para o ter feito. Não vejo contradições na sua postura.

  3. December 23, 2007 12:32 pm

    ps – o Luiz Pacheco disse, no documentário, aos jornalistas para eles irem a Cascais falar com o Herberto porque ele não se podia armar em “homem invísivel”. 😀

  4. December 23, 2007 11:07 pm

    O documentário foi tão fraquinho… o Herberto é tão grande… Valeu pelos minutos de Luiz Pacheco, autor também ele sublime, o mais vagabundo de todos, conhecedor profundo da realidade literário e da sua relação com as coisas.

    Sobre as massas: quem raio é que é poeta de massas em Portugal? Pessoa? Porquê? Conhecem-lhe o nome, é isso? Os muito-mortos? Camões, Bocage? O poeta de massas é o Cesariny, que morreu ontem. Amanhã já não será.

  5. December 24, 2007 11:34 am

    sim, soube bem ouvir o Luiz Pacheco 😉
    não, não há poetas de massas. Fernando Pessoa é conhecido mas duvido que seja lido. aliás o poeta que atingir as massas, rapidamente deixará de ser poeta.

  6. João Ventura permalink
    December 28, 2007 11:33 am

    H.H. é seguramente o mais oculto dos poetas portugueses, digno de figurar, então, no inventário de «notas sem texto» que é «Bartebly & Companhia», de Enrique Vila-Matas, porque como aqueles que se escondem nesse livro, também ele se desapareceu da vida para melhor aparecer na sua escrita.

    Chego tarde a este blogue, mas a partir de agora por aqui irei passando.

Trackbacks

  1. Novo livro de Herberto Helder não será reeditado « o absurdo

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