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Ela voltou com novo disco (e como nos entendemos)

September 7, 2009

Tori-Amos

“So you heard I crossed over the line
Do I have regrets?
Well, not yet”

Música para o domingo

September 6, 2009


On the Nature of Daylight (The Blue Notebooks, Max Richter)

Uma descoberta muito recente que me tem acompanhado nos momentos de escrita. Max Richter é um compositor alemão que vive no Reino Unido. O currículo é longo. Mais recentemente compôs a banda sonora que acompanha o documentário animado A Valsa com Bashir, do cineasta israelita Ari Folman.

Em The Blue Notebooks, ouvimos Tilda Swinton a ler pequenos excertos de textos de Kafka e Czeslaw Milosz, acompanhada pelo ruído soturno de uma máquina de escrever. Um disco indispensável para qualquer dia da semana, mas que ao domingo sabe ainda melhor.

Há capas ou títulos que já valem por si (iii) – ou quando tudo já está perdido para o absurdo apresentar um livro com esta sinopse

September 5, 2009

Homens_al_Dente

E ainda dizem que a massa não traz felicidade! Niki está apaixonada por Marco, um milionário italiano herdeiro de uma dinastia de fabricantes de massas. E Marco ama Niki, a rapariga alemã. O único problema é que a sua mãezinha também gosta muito dele, e por isso quer que ele se case com uma condessa. Para além disso, há ainda a mãe muito atraente de Niki. E embora Marco seja bastante apetitoso, é apenas um homem. Homens al dente, Gaby Hauptmann

O melhor é mesmo ir trabalhar.

Há títulos ou capas que já valem por si (ii) – ou como um blog caminha para o deboche numa manhã de sábado solarenga

September 5, 2009

zonas_humidas

Zonas Húmidas, da escritora Charlotter Roche, já levou muitas senhoras alemãs a corar, antes de ser publicado em mais de 30 países. “É a primeira obra alemã a chegar ao top de vendas da Amazon”, lê-se no sítio da wook. O New York Times escreveu que “em várias circunstâncias, documentadas nos medias alemães, leitores menos avisados terão desmaiado a ler algumas passagens”. Um livro recomendado.

Há títulos ou capas que já valem por si

September 5, 2009

Uma pequena editora, a Ramiro Leão, acaba de colocar nas livrarias um conjunto de livros de receitas culinárias, que passo a destacar:

Doçaria Conventual para Mentes Pecaminosas;
Receitas Caseiras para Mulheres Infiéis;
– Receitas Afrodisíacas para Amantes Imorais;
– Receitas de Sedução para Gays e Lésbicas;

Hugo Campos é o gastrónomo encarregado da selecção. Um conjunto de livros que todos deveríamos ter por perto. O que eu vou comprar são as  Receitas Caseiras para Mulheres Infiéis.

Fuck Off

September 3, 2009

HPIM1556Desde há uns tempos para cá tenho começado a comprar mensalmente alguns cd’s. Sou da geração dos mp3 e, ao longo dos anos, acostumei-me a descobrir álbuns apenas virtualmente, sem a necessidade de ter o disco nas mãos. Um amigo disse-me que “quem gosta de música, jamais se pode contentar com o mp3”. Eu comprovo a sua sentença. Ouvir um disco é completamente diferente. Para além de estar a ajudar um grupo de que gosto muito, reconhecendo-lhe o valor através da compra, a qualidade da música é indiscutivelmente superior, e a caixinha, o livro, o artwork deixam-nos mais próximos deles, dos que ouvimos, dos que nos acompanham por aí. O meu discman, já com muito pó em cima, voltou a ser limpo e agora toca mais do que o próprio leitor de mp3.

Tudo isto a propósito da minha compra mensal – The Sisters of Mercy, First and Last and Always – que acabou de chegar por correio. Será o disco de Setembro. Seguir-se-á o de Outubro e assim continuaremos, enquanto a carteira pesar. Um disco por mês, parece-me bem. Mesmo que tivesse mais tempo livre, um álbum merece ser descoberto com muita calma e paciência, sem pressas, sem grandes ruídos pelo meio.

Deixo-vos com as palavras do mentor sombrio e lixado dos Sisters, Andrew Eldritch, que abrem o livro que acompanha o disco:

Telling people to fuck off, that glorious sense of vindication, is a primary motivation factor. I think

É para ver (antes ou depois do Inglorious Bastards, tanto dá)

September 2, 2009

synecdoche2

Tenho pena, pela primeira vez, de não ter um comando numa sala de cinema para parar o novo filme de Charlie Kaufman – Sinédoque, Nova Iorque. Há muito tempo que não saía tão perturbada de uma sala de cinema, com a vontade de voltar a entrar para rever esta longa metragem do argumentista de Queres Ser John Malkovich?, Inadaptado e O Despertar da Mente.

O protagonista, brilhantemente interpretado por Philip Seymour Hoffman, é uma das personagens mais deprimentes que vi no ecrã. Vive diariamente com a certeza que vai morrer, perdendo rapidamente o controlo da sua vida. Passa muitos anos a preparar uma grande peça de teatro, enquanto o mundo se vai desmoronando à sua volta. Mais do que procurar o amor, Cadem procura-se a si próprio. O circulo de solidão, desespero e medo vão aumentando à medida que o tempo avança. O que é mais real: a sua vida ou a peça de teatro que passa anos a encenar? Sinédoque debruça-se sobre a morte e só por isso já mereceria ser visto.

Li por aí algumas críticas negativas à estreia de Charlie Kaufman na realização, com Sinédoque. Deixo esse assunto para os entendidos. O que mais me interessa é mesmo a argumentação, a procura dos melhores diálogos, a literatura que descubro por ali.

Há cada coisa

September 2, 2009

Não se deve acreditar muito neste tipo de listas, quando se coloca o Twilight de Stephenie Meyer entre os 60 melhores livros dos últimos 60 anos.


Da Bibliofilia (VIII)

September 2, 2009

Leer es como pensar, como rezar, como hablar con un amigo, como exponer tus ideas, como escuchar música (sí, sí), como contemplar un paisaje, como salir a dar un paseo por la playa.

Roberto Bolaño, in 2666. Barcelona: Editorial Anagrama, 2004

Leitura nas escolas

September 2, 2009

Em algumas escolas dos Estados Unidos, os professores estão a deixar os estudantes escolherem os livros que desejam ler, noticia o New York Times.

Os críticos dizem, entre outras coisas, que os alunos vão escolher livros “populares”, em vez de obras incontornáveis da literatura, como o Moby Dick.  Os defensores acreditam que se deixarem um estudante escolher um livro, estão a motivá-lo para a leitura.

Se nós, adultos, temos gostos divergentes, porque devemos obrigar os mais pequenos a lerem sempre os mesmos títulos, sem qualquer margem de escolha? Um aluno pode ler livremente nos seus tempos livres, mas se nos deparamos com crianças que nunca lêem nada, não será melhor começar por algo que vai de encontro aos seus gostos?

Ter alguns livros obrigatórios no programa e deixar os alunos escolherem outros livremente, parece-me ser a melhor solução. Os professores devem, no entanto, aconselhar algumas escolhas, incentivando os alunos a lerem bons livros.

Imaginem lá se não teria sido bom que tivessem escolhido, no 2º ciclo,  a trilogia de O Senhor dos Anéis para lerem e discutirem nas aulas de Português, ao mesmo tempo que mantinham um blog onde colocavam notas sobre as vossas leituras? Hoje, as recordações de leituras passadas na escola seriam bem mais agradáveis.

O Incrível Homem Bala

August 27, 2009

HPIM1477E pronto. Foi rápido. Uns dias de descanso à beira-mar, com muito sol, de vez em quando alguma chuva e até a presença constante do Incrível Homem Bala que prometia ser disparado a mais de 200 Km/h (se o espectáculo não incluísse animais, jamais teria perdido este prodígio da natureza).

Li muito e descansei ainda mais. Que o Diabo leve a Mosca Azul de John Franklin Bardin, As Cores da Infâmia de Albert Cossery e Alice’s Adventures in Wonderland de Lewis Carrol acompanharam-me uma semana e mais uns dias, a par dos jornais. Deu ainda para ver O Labirinto do Fauno de Guillermo del Toro e as duas primeiras temporadas da série OZ, de Tom Fontana.

É bom regressar a Lisboa, com o saco cheio de areia, as energias recarregadas e muitas vontades para realizar. Não, a tese ainda não está terminada. Está quase. Desde Maio que é assim: quase. Mas, entretanto, o absurdo voltará a respirar, tem de ser, é mesmo assim.

Não morri

July 29, 2009

Estou viva, apaixonada, e a caminho de acabar uma tese de mestrado que nunca mais acaba, impedindo-me de escrever nas minhas casas e até, imagine-se, na dos outros. Mas, se estou moribunda para o absurdo, não o estou para a literatura, o cinema, a música e a vida que passam por mim todos os dias, às vezes, um de cada vez, apesar da literatura ser uma priviligiada porque está todos os dias presente, a música quase sempre, ou no máximo, dia sim, dia não, e o cinema é que, coitadinho, só de vez em quando, mas nos últimos tempos até já se instalou rotineiramente cá por casa e pelos cinemas de Lisboa, especialmente pelos do Medeia, que gosto mesmo muito. O que tenho para dizer é que se tenta aguentar da melhor maneira possível. Que isto de ter uma tese de mestrado é quase como andar com o diabo às costas. Irei escrevendo à medida que conseguir, um dia um poema, no outro uma música, depois qualquer coisas assim-assim, até regressar verdadeiramente, qual D. Sebastião, com uma carragada de posts, tantos, que à noite até vos irá doer o indicador de passarem o dia a actualizarem este vosso estimado blog.

Para já, deixo-vos com a imagem do primeiro disco dos The Cure que me tem ajudado a suportar a dor que advém da escrita de uma tese de mestrado.

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É impossível escapar a um título destes: “Que o Diabo Leve a Mosca Azul”

July 10, 2009

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Mesmo não querendo, um livro com este título tem de ser lido. Doa a quem doer, não dá para ignorá-lo. Vem da Relógio d’Água e, como se não bastasse, tem um prefácio assinado pela Ana Teresa Pereira,

John Franklin Bardin escreveu Devil Take the Blue-tail Fly em seis semanas, enquanto ouvia, repetidamente, as Variações Goldberg. O seu filho Frank lembra-se dele, um homem muito alto, sentado numa poltrona a ler ou a ouvir música; quando se fechava no quarto onde estava a máquina de escrever, era preciso guardar silêncio, e Frank ia para fora brincar. Na casa, além dos livros, havia uma grande colecção de discos, especialmente de música clássica.
Devil Take the Blue-tail Fly é uma história de música e de loucura. No início do livro, Ellen desperta no quarto do hospital psiquiátrico que foi o seu mundo durante dois anos (por vezes chegou a acreditar que o mundo lá fora não existia). As cortinas ásperas da janela, a estante com as partituras de Bach e Handel, Mozart e Haydn, as reproduções tiradas de revistas: um desenho de Picasso, uma rapariga de cabelo castanho-avermelhado de Renoir, um severo diagrama de Mondrian, uma máquina voadora de Leonardo. Mas hoje é um dia diferente. O dia em que vai para casa. Vai deixar a ordem do hospital e voltar ao caos. Basil, o marido, vem buscá-la. Ainda é muito cedo, ainda não são seis da manhã, mas por volta do meio-dia já estará em casa e poderá tocar. Cravo. O seu instrumento. O único que permite destilar a essência da música. Ela sentada a tocar, as notas de Bach, uma segurança que vem de uma ordem diferente da que encontrou no hospital. [excerto do prefácio  de Ana Teresa Pereira retirado daqui]

Não sei se já repararam, mas chegaram às livrarias dois novos títulos da Relógio D’Água: Que o Diabo Leve a Mosca Azul, de John Franklin Bardin e A Pena do Diabo, de Minette Walters. Ambos pertencem à colecção Crimes Imperfeitos que a editora está a relançar.

Os próximos clássicos a serem publicados são A Dama de Branco e A Pedra da Lua de Wilkie Collins, O Mistério do Quarto Amarelo de Gaston Leroux e Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski (sobre esta edição com nova tradução devem ler esta opinião que subscrevo).

A Casa de Gelo e A Escultora de Minette Walters e A Árvore das Mãos e Um Bando de Corvos, de Ruth Rendell são  as obras de autores mais recentes que também vão ser incluídas em Crimes Imperfeitos.

Nunca gostei do Chapeleiro Louco

July 7, 2009

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Depois das primeiras imagens da versão de Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, terem sido reveladas, a vontade de ler este clássico e a Alice do Outro lado do Espelho começou a ganhar corpo. Lá espreitei as versões da Penguin (3,50 euros cada) e só não as comprei porque os livros que ainda tenho por ler já disputam o meu quarto com a árvore que também quer entrar.

Já sabia que estes dois livros de Lewis Carroll têm várias leituras e, coisa boa, muitas interpretações para lá do texto. E eu gosto disto, a sério que gosto. Descobri um site dedicado à análise destas obras que vou explorar muito bem depois (ou talvez antes) de ler os dois volumes.

Alice no País das Maravilhas nunca me atraiu por aí além. Passava uma série deste clássico na televisão e, não sei bem porquê, detestava o Chapeleiro Louco. Não podia com o Chapeleiro Louco.  Tinha um pó ao Chapeleiro Louco que nem vos conto. Via-o no ecrã, colocava as mãos na cara, e mudava de canal. Bem, lá terei de me deitar no divã e redescobrir os meus medos ao ler as obras de Lewis Carroll.

“He’s dreaming now,” Tweedledee exclaimed, clapping his hands triumphantly. “And if he left off dreaming about you, where do you suppose you’d be?”

“Where I am now, of course,” said Alice.

“Not you!” Tweedledee retorted contemptuously. “You’d be nowhere. Why, you’re only a sort of thing in his dream!”

“If that there King was to wake,” added Tweedledum, “you’d go out–bang!–just like a candle!”

“I shouldn’t!” Alice exclaimed indignantly. “Besides, if I’m only a sort of thing in his dream, what are you, I should like to know?”

“Ditto,” said Tweedledum.

“Ditto, ditto!” cried Tweedledee. He shouted this so loud that Alice couldn’t help saying “Hush! You’ll be waking him, I’m afraid, if you make so much noise.”

“Well, it’s no use your talking about waking him,” said Tweedledum, “when you’re only one of the things in his dream. You know very well you’re not real.”

“I am real,” said Alice, and began to cry.

“You won’t make yourself a bit realer by crying,” Tweedledee remarked: “there’s nothing to cry about.”

“If I wasn’t real,” Alice said–half-laughing through her tears, it all seemed so ridiculous–“I shouldn’t be able to cry.”

“I hope you don’t suppose those are real tears?” Tweedledum interrupted in a tone of great contempt.

Prevê-se que a Alice de Tim Burton chegue às salas de cinema em Março de 2010. O remake apresenta-nos a protagonista com 17 anos, de casamento marcado, que regressa ao País das Maravilhas 10 anos depois. O elenco é composto por Mia Wasikowska (Alice), Johnny Depp (Chapeleiro Maluco) e Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha).

Primeiro rascunho sobre 2666, de Roberto Bolaño

July 6, 2009

bolanoRoberto Bolaño (1953-2003) colocou os americanos a lerem 2666. Ou melhor, 2666 é que colocou os EUA a olharem novamente para o escritor chileno porque este já tinha morrido quando o livro saiu em 2008. Depois do sucesso comercial de Os Detectives Selvagens, 2666 voltou a receber a atenção da imprensa americana ,recolhendo críticas extremamente positivas em todos os jornais e suplementos culturais de referência do país.

Um ano depois da morte do autor, 2666 já estava nas estantes das livrarias espanholas. Bolaño esperava que a sua obra-prima desse origem a cinco livros individuais, mas tal nunca chegou a acontecer, publicando-se todos os capítulos num só volume.

É da primeira parte que que para já escreverei aqui algumas palavras. Um quarteto de jovens académicos – Jean-Claude Pelletier (Francês), Piero Morini (Italiano), Manuel Espinoza (Espanhol) e Liz Norton (Inglesa) – encontram-se em colóquios para discutirem o trabalho de um escritor alemão obscuro, Benno von Archimboldi, que desapareceu do mapa, tendo sido visto apenas pelo seu editor uma vez durante décadas. Todos se vão apaixonar por Norton e o leitor irá deparar-se com um quadrado amoroso. Morini é o que aguarda em silêncio. Espinoza, Pelletier e Norton quase escorregam para um ménage à trois.

Lá para o meio da narrativa, Pelletier e Espinoza envolvem-se num terrível acidente em Londres. Julgamos que ambos estão perdidos e vão acabar por ali, a expiarem o amor cego que sentem por Norton, com as mulheres que procuram desenfreadamente nos seus países. Mas tudo passa, Bolaño é cruel, e quase nos esquecemos deste “pequeno” incidente que nos zanga com aqueles dois e nos aproxima de Morini.

Na parte final deste primeiro capítulo, Liz, Pellitier e Espinoza partem para o México porque ouviram dizer que Archimboldi poderia andar por lá. Não encontram nada e Bolaño aproveita para dar conta dos crimes que andam a ocorrer em Santa Teresa: centenas de mulheres, com sinais de violações e torturas, têm aparecido mortas nos últimos anos.

Os três parecem não dar muita importância ao assunto e seguem as suas vidas: Liz regressa a Londres e mais tarde encontra-se com Morini; Pellieter aproveita para colocar a leitura em dia e Espinoza envolve-se com uma vendedora de tapetes.

Os quatro andam por aí, perdidos, e nós seguimo-los, ávidos, sem nos importarmos muito se vão descobrir o escritor ou não. Também não sabemos muito bem porque os seguimos. Vamos e pronto. É estranho, nunca tinha sentido esta sensação com outro autor. Roberto Bolaño magnetiza-nos por completo a atenção, qual mago negro.

Deixo-vos com as últimas palavras do capítulo que pertencem a Norton,

No sé cuánto tiempo vamos a durar juntos, decía Norton en su carta. Ni a Morini (creo) ni a mí nos importa. Nos queremos y somos felicies. Sé que vosotros lo comprenderéis.

O véu silencioso

July 3, 2009


Fields Of The Nephilim – Requiem Xiii 33 (le Veilleur Silencieux)

Uma música que nos últimos dias passa repetidamente cá por casa. Deve ser ouvida e lida com muita atenção. Talvez ao longo dos anos a vá compreendendo melhor.

Para o dia, José Costa e Lizzie. Para a noite, Morini, Espinoza e Norton

June 29, 2009

À falta de um leitor de e-books, sempre que saio de casa tenho levado um tijolo no saco. Mais de 1000 páginas de boloñamia não são pêra doce para quem se aventura a ir para as praias da Costa da Caparica e, pelo caminho, tem de apanhar vários transportes. Vai daí, resolvi ontem o problema,

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O José Costa e a Lizzie andam agora comigo a passear por Lisboa. Travarei conversa com Morini, Espinoza e Norton quando estiver apenas por casa.

Um leitor de e-books? Não, obrigada.

June 27, 2009

Ia tendo um biribaque quando li que o José Mário Silva precisava de um leitor de e-books. Lá para o meio explicou a necessidade deste gadget, deixando-me mais descansada,

Para fazer download das obras que me interessam mas não faço questão de ter nas prateleiras, claro. Mas sobretudo para evitar um crime ecológico: a impressão, em resmas de folhas A4, dos ficheiros pdf com que as editoras revelam aos críticos literários os romances que só vão para a gráfica umas semanas depois. [continuar a ler]

Já Miguel Esteves Cardoso, na coluna que assina diariamente no Público, provocou-me  mesmo o biribaque com o seguinte texto:

Já tenho o meu leitor de ebooks, um BeBook, há quase um ano. Ao fim do segundo dia já não passava sem ele. É leve mas leva 4 GB de livros, revistas e textos – o suficiente para 40 mil horas de leitura furiosa. Só é preciso recarregar a pilha de cinco em cinco dias. Nunca aquece nem pisca.
Como o ecrã é preto sobre cinzento lê-se facilmente à luz do sol mais brilhante. E pode-se ler quanto se quiser sem cansar os olhos. Tudo coisas que os portáteis e os telemóveis não conseguem fazer. O BeBook não serve para nada senão para ler.
É como ler fotocópias a preto e branco em meia página A4. Borra as fotografias, mas o tipo de letra pode-se substituir e aumentar. Não é bonito nem fofo nem cheira a tinta. Mas lê-se muito bem. Só é preciso gostar de ler. Quando se fica minimamente absorto esquece-se o que se tem na mão. E é essa a ideia de ler, ou não?
[retirado daqui]

Não, não é a ideia. Ler  implica o esquecimento do que nos rodeia porque para além do que estamos a ler, temos nas mãos o objecto livro que nos transporta para esse mundo distante da literatura. Ler num e-book não pode ser a mesma coisa, não deveria ser a mesma coisa. Um e-book serviria apenas para ler os artigos que vou encontrando na internet e que a maior parte das vezes acabo por imprimir, contribuindo para a poluição do ambiente. Para ler um livro? Nao, obrigada.

Hoje o meu dia vai assim,

June 18, 2009

transa atlantica

Não é só o Pedro Mexia que não se priva de utilizar o verbo Foder. Mónica Marques emprega-o ainda melhor, ou parafraseando os gaúchos, de uma maneira mais gostosa. E agora vou descansar com a Transa Atlântica, depois de uma manhã muito dura no dentista.

Hoje o meu dia começou assim,

June 18, 2009

susan_sontag

When my dentist touches my hair
It’s like a love affair