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Escritor por um mês? Não, obrigado

November 4, 2008

nanowrimo

No dia 1 de Novembro começou mais um NanoWrimo, ou para os desentendidos, National Novel Writing Month. O evento celebra este ano o seu 10º aniversário. O objectivo é escrever um livro, no mínimo com 50 000 palavras, durante o mês de Novembro. “Não se trata de qualidade mas de quantidade“, lê-se no site. Tudo para incentivar os participantes a escreverem o livro que estão sempre a adiar. Para vencer basta chegar às 50 000 palavras até ao dia 30 de Novembro. Ninguém vai ler o texto, a não ser que o escritor o publique em algum lado. Os NanoWrimos portugueses também marcam presença nesta competição anual.

Não consigo achar muita piada ao projecto. Escrever um livro sem atender à qualidade? Num mês? 175 páginas? Para ninguém ler? Bem, se desejo mesmo escrever um livro acho que me vou preocupar com o conteúdo e não propriamente com o número de palavras. Não entendo a motivação dos participantes. Mas devo ser só eu, porque no ano passado o projecto contou com mais de 100 000 NanoWrimos.

10 Comments leave one →
  1. November 5, 2008 12:20 am

    Mormente, partilho da mesma opinião que tu. Teria algumas ideias, para escrever um livro, mas que desperdício. Olho para isto e fico pasmado:

    “Why: The reasons are endless! To actively participate in one of our era’s most enchanting art forms! To write without having to obsess over quality. To be able to make obscure references to passages from our novels at parties. To be able to mock real novelists who dawdle on and on, taking far longer than 30 days to produce their work.”

    São estas as razões, para escrever um livro num mês? Penso: como é que há pessoas a participar nisto.

  2. November 6, 2008 1:08 pm

    Não és não!Concordo inteiramente com os argumentos que apresentas e ainda acrescento que é uma iniciativa triste que promove a prática da estupidez…fala-se em ESCREVER um livro como se de uma ida ao supermercado se tratasse…
    Que hoje em dia toda a gente “escreve” “livros” por tudo e quase nada, já eu sabia, o que me espanta, é que já se façam acções de incentivo a essa (estranha) “prática”.
    Haja paciência!😉
    Aquele bjinho d sudade

  3. November 6, 2008 2:54 pm

    Iniciativa muito infeliz, sem dúvida, Isa.

  4. November 7, 2008 11:18 pm

    Neste caso, discordo totalmente da opinião, e por vários motivos.

    Uma das grandes dificuldades para escrever, é ganhar ritmo e coragem para escrever regularmente, mesmo quando não se tem o tempo todo desejável. Um dos grandes objectivos desta iniciativa é ajudar quem queira a ganhar este hábito.

    E, apesar de ser uma coisa muito “à pressão” podem surgir ideias para futuros livros. Se calhar uma coisa feita num mês, pode ser reformulada porteriormente para originar mesmo um livro.

    Acho que só por esses dois motivos vale a pena. E incentivos para que as pessoas escrevam ,são por si só, quanto a mim, de elogiar.

  5. November 8, 2008 1:00 am

    São dois bons argumentos, Sara. No entanto, sou contra a iniciativa.

  6. November 9, 2008 2:50 pm

    Olá Sara,

    Consigo compreender o teu ponto de vista mas mesmo assim acho que quem deseja realmente escrever não precisa da iniciativa. Pode fazer o mesmo para si em casa. E estar a escrever, para a máquina contar exclusivamente palavras, não dá qualquer tipo de motivação, na minha modesta opinião.

  7. November 10, 2008 1:17 pm

    Sara,
    Embora não concorde, respeito os teus argumentos.
    Eu sou daquela ala que não acredita que os génios caem das árvores.
    A fórmula para que algo seja bom (sndo que a noção de bom, varia de pessoa p/pessoa, claro está!) está nos 10% de inspiração e 90% de transpiração.
    de qualquer forma, reitero: “discordo do que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres”😉

  8. mnazian permalink
    November 16, 2008 11:42 pm

    hehe, acho que ainda não entendi o propósito do festival. nonsense, mesmo.

  9. December 4, 2008 2:52 pm

    Bem, aparentemente ainda não tiveram em conta a opinião de nenhum participante, por isso aqui fica a minha.
    Ninguém que participa no NaNoWriMo sonha sequer em ter um livro pronto para publicação num mês. Este mês de escrita intensiva serve o único propósito de incentivar as pessoas a “deitarem para fora” (vomitar por assim se dizer) as ideias que tem na cabeça.
    O que eles querem dizer com “quantidade acima de qualidade” é que neste mês as pessoas se limitam a escrever as ideias. Mais tarde, com muito mais tempo, vão desenvolver essas mesma ideias, eliminar algumas, reescrever muito e editar ainda mais. Suponho que seja por isso que não escrevem para mostrar a ninguém.
    E sim, por mais que posso não vos passar pela cabeça, há pessoas que precisam de um qualquer incentivo externo para escreverem. Duvido até que haja muitos escritores que não precisem de qualquer tipo de motivação para escreverem.
    Como participante digo que o NaNoWriMo foi uma experiência ímpar, onde pude falar com outros escritores (alguns muito bem publicados) e de saber que não sou a única que por vezes sente dificuldades em passar para o papel tudo aquilo que lhe vai na mente.
    Não considero as minhas +50 000 palavras uma obra-prima. Muito do que escrevi está bom para o caixote do lixo, mas também há muito que é excelente e que pode ser utilizado. O que interessou foi escrever e escrever. Tudo o que queria e não parecia nunca ter tempo para despejar no computador.
    O NaNoWriMo não tenta ser mais do que aquilo que na realidade é. Um incentivo, um objectivo, um desafio, uma experiência. Somente isso, sem pretensões de ser mais do que.
    Compreendo parte o vosso ponto de vista, até porque não concordo com algumas das afirmações que eles fazem no site. Mas cada qual é responsável por si mesmo. Nem todos escrevem só por escrever. Muitos escrevem porque esperam algo disso. Como eu!
    Não julguem um grupo de pessoas, baseado nas palavras de uns.
    E sim, o NaNoWriMo valeu a pena e pretendo repetir a experiência para o ano.
    Agora durante os restantes 11 meses, vou centrar-me em editar tudo o que escrevi num mês. Parece-vos isso um caminho fácil?
    Em 30 dias limitei-me a escrever e não, não me ri dos autores que demoram anos a escrever um livro. Isso seria no mínimo patético!

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