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é do cansaço

April 9, 2008

o que e vou dizer é perigoso, não tem grande reflexão e ocorreu-me repentinamente mas vou dizer à mesma:

imaginemos que o orçamento dedicado à cultura seria manifestamente suficiente e todas as entidades culturais teriam bolsos e mãos largas. o resultado seria catastrófico. é da privação e necessidade que surge a vontade de criar.

artistas com talento poderiam aproveitar a oportunidade para fazer ainda mais. mas a nível global, acredito que a fasquia cultural iria drasticamente baixar.

como se a cultura precisasse da privação e dificuldade para produzir genialidades (e precisa, tal como o Homem). com dinheiro, o ânimo perdia-se. passamos a vida a queixarmo-nos, quais velhos do restelo, mas de vez em quando dá vontade de dizer “ainda bem que o dinheiro é pouco”.

ps – é óbvio que se o orçamento destinado à cultura engordasse seria óptimo para todos. a situação que retrato é meramente idealizada. o artista é muito maltratado no nosso país. e nem é preciso ir muito longe: a precariedade de trabalho dos actores é gritantemente assustadora.

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2 Comments leave one →
  1. April 11, 2008 9:44 pm

    não é assim tão perigoso, é antes bastante assertivo.

  2. April 16, 2008 2:41 pm

    Concordo que o excesso de dinheiro dispersa!
    O papel do Estado é criar condições para que seja possível produzir trabalhos artísticos nas suas mais variadas fomas/fórmulas e não atribuír subsídios cegamente/fundo perdido.
    O Estado deve ser capaz de construír teatros( como o Carrilho enquanto ministro da cultura suportou e bem a construção de centro culturais em várias capitais de distrito, para além da rede de bibliotecas) estúdios de música onde os novos músicos possam testar e gravar as suas crições e trocar conhecimentos ( os Air, os HIM entre outros nasceram nesses estúdios públicos), formar uma rede cultural de infra-estruturas e organismos na qual quem tenha talento possa progredir e tenha uma rede de protecção mas não proteccionista. Temos demasiada gente sem talento a depender do Estado e a realizar “obras” que apenas enchem o umbigo de quem as realiza.

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