da bibliofilia (iv)
February 27, 2008
por vezes, passo mais tempo a falar dos livros que ainda não li do que os que já li. porque os primeiros são os que mais falta me fazem. os outros, apesar de me marcarem e passarem a fazer parte de mim, deixam de me interessar. eu não sou todos os livros que já li. sou todos os livros que ainda não li e nunca irei ler. talvez um dia descubra a Biblioteca de Babel, ou encontre o livro perfeito e nunca mais precise de ler.
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Isso é o que me faz andar nas livrarias sempre à procura do próximo, o perfeito. Como disse António Lobo Antunes, escrever um romance perfeito para poder terminar a escrita. Mas, na minha opinião, o livro perfeito não pode existir. O livro perfeito esvaziaria o sentido mais profundo da nossa existência. Estamos assim condenados a procurar sempre mais um, e outro, e mais outro. Estamos condenados a sermos, nós próprios, uns cadernos de subterrâneo, onde o sofrimento nos leva à incessante necessidade de nos flagelarmos com literatura. E, de livro em livro, de obra em obra, andarmos sempre a pensar que o que somos está nos livros que ainda não lemos.
é. e aqui que ninguém nos ouve: ainda bem que não existe o livro prefeito. sem estes amigos a vida seria muito mais entediante, diria até insuportável 😉