o absurdo

prazo de validade

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Há ideias feitas, lugares comuns e terríveis mentiras que entram nas nossas vidas de tal forma que mesmo depois de denunciadas e desmentidas persistem em colar-se-nos à pele. Uma das mais frequentes diz respeito ao negócio dos livros em Portugal. Foram tantos anos a ouvir editores, autores, jornalistas, a encostarem a palavra “crise” ao mundo da edição, que a ideia pegou de estaca e não o larga mais. Pedro Rolo Duarte

até eu que não sou livreira, editora ou escritora passo a vida a lamuriar-me com a crise dos livros. mas pensando melhor, a saúde literária no mercado da edição não me preocupa. o que me tira o sono às noites é exactamente o contrário: o excesso de livros editados em Portugal. com tanta coisa má e medíocre a sair todas as semanas, torna-se difícil a um bom escritor ganhar a visibilidade e o espaço merecidos. o livro passou a ter uma durabilidade de venda e ao fim de umas parcas semanas (ou talvez dias) é atirado para os calabouços das arrecadações. as pequenas editoras, os pequenos escritores, os bons livros têm dificuldades em entrar nos circuitos comerciais de vendas. eu preferiria que se editasse menos, mas melhor e que um livro não tivesse prazo de validade.

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