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da leitura do livro misterioso

January 13, 2008
«Ninguém quer extraviar um livro. Preferimos perder um anel, um relógio, o chapéu-de-chuva, do que o livro cujas páginas não mais leremos mas que conservam, na sonoridade do seu título, uma antiga e talvez perdida emoção.» (p. 16)
é pá: não é para morrer, nem me sugou os ossos até ao tutano ou sequer despoletou o meu mau feitio quando fui interrompida. mas é bom, muito bom, aliás qualquer bom livro que fale sobre o amor à literatura é meio caminho andado para ganhar o afecto de um bibliófilo.
«Nós, leitores, espiamos a biblioteca dos amigos, nem que seja apenas para nos distrairmos. Às vezes, para descobrir um livro que gostaríamos de ler e não possuímos, outras para saber o que comeu o animal que temos diante de nós.» (p. 16)
Citações: [Carlos María Domínguez, in A Casa de Papel. Porto: Edições ASA, 2006]
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5 Comments leave one →
  1. January 14, 2008 12:42 pm

    sabes que esse amor à Literatura e às Artes, em geral, tenho notado, vira bastante as próprias para dentro, enrola-as sobre si mesmas, com indicações circulares – e, assim, fechadas -, move para a leitura os próprios, os amigos, os companheiros, os críticos, e perde-se a comunidade. tenho notado: referências ao tipo do lado, a importância dada a alguém do meio artístico por uma personagem que, assim, perde verosimilhança. há sempre um piscar de olho, uma pequena homenagem. não sei até onde pode ser essa conduta benéfica na propagação pelos bairros, ricos e pobres. o que é um Nobel?

  2. January 14, 2008 6:46 pm

    perdi-me a meio, ó Hugo. explica lá melhor.

  3. January 14, 2008 7:55 pm

    dizia: o circuito fechado em que funcionam muitas vezes os meios artístico-literários pode não ser bom para o leitor comum e, por consequência, para a qualidade da obra.

  4. January 14, 2008 9:31 pm

    e os meios artístico-literários não estarão fechados sobre si próprios porque as pessoas, os leitores comuns, não se interessam? é inevitável formarem-se círculos restritos porque é algo virado não para dentro mas para uma minoria. porque a maioria não se interessa.

    por exemplo, as apresentações de livros sempre foram abertas ao grande público. contudo, geralmente só estão os amigos do autor e meia dúzia de gatos pingados. não há interesse, logo dificilmente poderá haver uma maior abertura.

  5. January 15, 2008 3:35 pm

    talvez explicando melhor: o meio vive ensimesmado, o que lhe tira saúde e vitalidade; o leitor comum é o leitor comum, que lê, que gosta, mas não vive a tempo inteiro para o meio, e não uma sala cheia de pessoas em lançamentos publicitários. quando perguntava pelo Nobel: são espelhos da comunidade, do que os rodeia, ali, à mão. falar do que não se conhece é sempre mais difícil, abre caminho a muitos a erros, a juízos feitos à distância. (não os li todos, nem perto, sei – mas digo dos já lidos. lembrança imediata: Hemingway, Saramago, Neruda, Marquez.) falta essa sensibilidade a muitos e nem é passo tão difícil de dar.

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