passei no exame de condução. o examinador – sr. engenheiro – era, desta vez, um idiota. passámos o tempo todo a falar do José Rodrigues dos Santos. vá-se lá saber porquê. conduzi pior do que da última vez: o carro foi abaixo duas vezes. o sr. engenheiro não mandou estacionar, contornar o passeio ou fazer todas as outras ninharias que fazem parte de um exame. foi sempre andar em frente. “siga” – disse-me ele. “vá sempre a direito”. e eu segui, sempre a direito, com conversa fiada pelo meio. sempre me dei bem com patetas.
entretanto, já peguei no carro do meu pai. deixou-me andar 150 metros. fiz marcha atrás, o carro deslizou como manteiga, meti a primeira, bufou mas não foi abaixo, passei para a segunda, tossiu mas aguentou-se, e preparava-me para meter a terceira com segurança quando o pai disse: “é melhor ficarmos por aqui, hoje”. sinto que sempre tive o bichinho da condução dentro de mim, andava era distraída.