B, a cidade de Braga é das
palavras e sons intimistas na Velha-a-Branca. dos livros e chá na Centésima Página. do chocolate quente, espesso, no café Vianna. dos dedos de conversa na Brasileira. das cordas de gargalhadas pelas avenidas íngremes. das saudades de futuros encontros do BC. dos sorrisos e abraços, entre livros e música. das palavras galegas e dos sotaques nortenhos. da proximidade do desconhecido. das gentes apressadas em direcção aos shoppings. dos miúdos pequenos com ar de grandes a trocarem carinhos, inspirados nos morangos com açúcar. dos poetas espalhados pelos bancos da cidade, a dormir, de barriga para cima como se o mundo fosse deles. dos velhotes que guardam nas mãos a sabedoria da terra, com o Diário do Minho debaixo do braço, enquanto percorrem a cidade nos autocarros, todos os dias, em passeio. dos meninos e meninas carregados de fotocópias a caminhar em direcção ao centro da cidade. do senhor da lotaria que canta uma ladainha que dá gosto de ouvir, ao pé da casa das ferragens. da senhora que anda a pedir mas que dizem que é muito rica. veste sempre uma saía azul comprida. do senhor que toca flauta ao fundo da rua do souto. às vezes está à chuva e não pára de tocar, como se quisesse purificar os pensamentos ou lavar a alma.
esta não é a cidade das igrejas e dos sinos, é a dos rostos.