é falar de livros – urgência da vida. não há muito para dizer. aliás, todas as coisas importantes já foram ditas por alguém. mas isto são águas de outro poço. o que tenho para escrever é muito menos interessante mas é aquilo que me apetece. é sobre saber que livro ler a seguir. a vida de leitor é desgraçada, miserável. nunca se está bem em lado nenhum. posso estar a ler o livro da minha vida, desejar que ele não acabe mas ao mesmo tempo já estou a pensar no próximo. infeliz condição. conscientemente, nunca sei qual é o próximo. o livro que estou a ler no momento é que me indica o seguinte. é uma espécie de mecanismo do além. talvez, por isso, compre livros, que no momento apetece, e depois os deixe arrumados durante anos. um livro tem que ter a sua hora, o seu tempo específico. e, o que geralmente acontece, é que quando me indicam um livro e eu tento ler acabo quase sempre por desistir. mas se fosse eu sozinha a chegar a essa obra, muito provavelmente teria lido até ao fim. «porquê, não sei. mas sei. que essa coisa é que é linda».
porque reiniciar o absurdo
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