Desde há algum tempo que não entro em livrarias: mais do que perturbarem a minha existência, enfastiam-me! Tornou-se um lugar comum afirmar que o mercado livreiro está podre, corrompido e viciado… Mas a verdade é que está mesmo! As listas de livros mais vendidos tornaram-se previsíveis e pouco variam de região para região. Hoje em dia, entrar numa livraria significa levar na cara com fast book, pronto a pagar, consumir e deitar fora. Já não procuramos determinado autor, já não remexemos prateleiras, já não encomendamos obras esgotadas mas comemos o que as livrarias e editoras escolhem para/por nós. As obras imperecíveis estão escondidas num qualquer canto poeirento dos espaços comerciais ou então esgotadas há meses e sem grande vontade de reposição. Ou pior: o funcionário (os livreiros morreram!) nunca ouviu falar, pesquisa no computador, faz a encomenda (quando a obra existe nos catálogos) e depois é só esperar, com sorte, umas semanitas ou no pior dos casos, meses! No meio de tanto lamaçal medíocre tornou-se impossível escolher entre o mau e o péssimo. Os dados foram lançados, nós aceitamos ser peões.
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