até o livro se desfazer

2008 March 8
by Eduarda Sousa

Trabalhei arduamente. Foram necessárias duas horas para montar a edição caseira do livro de poesia que pirateei. Marcar margens, usar régua e x-acto, cola e agrafador… Para tudo ficar perfeito: nenhuma página maior que a outra; dois agrafos verticais a segurarem o livro; colar páginas. Enfim… Houve momentos em que desesperei e achei que não iria conseguir. As páginas não batiam certo. Não havia forma de colocar os agrafos no meio do livro, etc.

No fim, a coisa ficou tão tosca que nem lhe consegui chamar ‘livro’: páginas maiores que as outras; agrafos na horizontal que começaram a rasgar; cola que amoleceu as páginas e ainda borratou algumas letras. Porém, o meu amor às letras é superior à tristeza de não ter jeito para trabalhos manuais e nada disto me demoveu de passar uma boa hora na companhia das palavras de um dos meus poetas preferidos.

Finalmente, estou recuperada. Não li até morrer mas li até o livro se desfazer. Voltei a meter mais cola e agrafos. Olho para ele e já não vejo páginas maiores que outras, ou furos, ou agrafos em todos os cantos. Ganhei-lhe afecto e ele roubou-me o coração. É o meu primeiro livro pirateado (se tiver vergonha, fico por aqui) e já o guardei cuidadosamente na estante.

2 Responses leave one →
  1. 2008 March 9
    Marlene permalink

    Sou da opinião que os poetas sentem a vida de maneira diferente. Acho que és uma poeta.

    Já te disse que é um prazer ler-te?

  2. 2008 March 10

    declaração de interesses: esta menina é minha amiga e os amigos exageram sempre em relação aos amigos :D

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