O JL
No último ano tornei-me leitora assídua do Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL). De 15 em 15 dias passo pela biblioteca, leio-o e acabo sempre por fotocopiar alguns artigos. É com grande tristeza que reparo que o JL é o único jornal que está sempre disponível. Há sempre alguém a ler o Público, o DN, o JN, etc. Mas o JL, solitário, está sempre livre.
A bem dizer, até se consegue compreender porquê. É um jornal muito denso e pesado. Falta-lhe leveza, luminosidade, abertura. Não estou a dizer para lhe retirarem a profundidade ou torná-lo um produto light e superficial. Um jornal deste tipo será sempre dirigido e consumido por uma minoria. Mas precisa de ser reestruturado a nível de conteúdos. Por exemplo, aquelas entradas que mais parecem um carrossel, deveriam ser mais curtas. Não mais comestíveis. Apenas mais breves.
Se fosse só na biblioteca… Mas, por exemplo, no meu círculo de amigos há para aí um ou dois que o compram de tempos a tempos. De resto, a maior parte nunca ouviu sequer falar no JL.
E é uma pena.

Roberto Bolaño, 2666
as bibliotecas, destaque desta edição, terão sempre este problema: apagam do mapa o leitor-que-pode-comprar-mas-que-acaba-por-poupar; apagam as mudanças que se fazem a custo dos leitores, da publicidade, do dinheiro. (ou o problema é outro e isto surgiu-me agora.)
as bibliotecas também contribuem para a “não compra”. mas no caso do JL é o único jornal que está sempre livre. nem na biblioteca o consultam gratuitamente. claro que não serei a única a ler mas é coincidência a mais reparar que durante um ano nunca tive de esperar uma única vez para o ler. estando inclusive numa biblioteca, onde as pessoas que a frequentam terão, à partida, algum gosto pelos livros.
Sem dúvida, Eduarda. Já sabes que concordo contigo.
Poucos conhecem, menos compram e lêem, e outros… provavelmente dizem: “Isso não é aquele jornal de cotas? É uma seca…”
A nova geração há de entrar em força
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Convido-vos a visitar o Blogue do JL: http://www.bloguedeletras.blogspot.com
MH, todos os dias.
É verdade, está no meu feed
Há um problema de grafismo, mas não de “densidade”.
Pelo contrário, parece-me que há lá conteúdos quase desnecessários pela sua leveza, embora compreenda que há um leque de público a atingir e não um afunilamento a nichos.
Mas às tantas é isso que impede uma introdução num mercado mais jovem, por exemplo.