sobre a blogosfera e as visitas

2007 October 20
by Eduarda Sousa

É muito frequente encontrar bloggers que rapidamente desistem da blogosfera por não terem muitos comentários ou receberem poucas visitas. Ter um blog no topo das visitas não é complicado, basta falar de sexo, gajas e mais umas banalidades. O google encarrega-se de fazer o resto. Eu sempre preferi um bom leitor, a centenas de visitantes à procura de sexo, drogas e crime. É óbvio que quem escreve num espaço público gosta de ser lido. O importante é saber por quem gosta de ser lido?

Isto faz-me recordar o único post do absurdo que apaguei: “Piratas das Caraíbas”. Na altura tinha estreado o segundo filme e todos os dias me chegavam centenas de visitantes. A certa altura o que se discutia na caixa de comentários era a beleza dos protagonistas antes de cair numa feroz discussão insultuosa. Fechei a caixa de comentários. Mas nem por isso me deixaram em paz com o Johnny Depp. A partir do momento em que apaguei o post, as visitas desceram drasticamente e eu senti-me estranhamente aliviada.

É claro que a larga maioria dos leitores me continuam a chegar através de algumas palavras colocadas ao acaso nos motores de busca. Desde que a porta de entrada no absurdo não seja sistematicamente as gajas, o sexo ou o Johnny Depp já fico feliz.

ps – e se as visitas começarem a crescer por ter colocado as palavras “sexo”, “gajas” e “Johnny Depp” neste post, ele será eliminado brevemente.

6 Responses leave one →
  1. 2007 October 20

    É, Eduarda, concordo. A quantidade nunca foi sinónimo de qualidade…vivemos numa época em que prolifera uma ética da quantidade…eu continuo a reger-me pela da qualidade (como diria o nosso amigo Camus…). Aliás, tudo o que vende muito, se ouve muito ou que as pessoas gostam muito, eu já sei que não vou gostar…decididamente, aquilo que agrada a muitos algum defeito (grande) tem de ter…gosto do pormenor, do minoritário, do aconchegado, do fiel.
    Im

  2. 2007 October 20

    Olá IM,
    Permite-me não concordar completamente contigo.

    O meu objectivo não é fazer do absurdo um espaço elitista (e mesmo que o quisesse não tenho capacidades para isso) Se calhar não me expressei bem. Quantas mais visitas eu tiver melhor. Fico ainda mais contente. O que me incomoda é ter leitores que vêm à procura de uma coisa, enganados pelo google, que o absurdo não tem. Prefiro um bom leitor, a centenas de visitantes à procura de sexo. Mas se tiver centenas de bons leitores ainda melhor.

    “Aliás, tudo o que vende muito, se ouve muito ou que as pessoas gostam muito, eu já sei que não vou gostar…decididamente, aquilo que agrada a muitos algum defeito (grande) tem de ter…”
    Compreendo a tua posição. Mas às vezes este preconceito afasta-nos de obras muito boas. Regra geral, o que mais vende são produtos massivos, sem grande conteúdo. Mas nem sempre são necessariamente maus. É preciso dar uma oportunidade e não julgar antecipadamente.

  3. 2007 October 20

    Sim senhora. Eduarda a presidente :)

    Um blog feito a pensar nas visitas passa a ser um produto para consumo e deixa de ser a expressão genuína de quem escreve. Um blog de sucesso mede-se pelos leitores fiéis.

    O blog da Eduarda pode ter poucas visitas, mas estas são de leitores fiéis. Logo, pode ser considerado um sucesso desse ponto de vista.

    Continua assim!

  4. 2007 October 21

    Não, Eduarda, não me estava a referir a elites do que quer que seja…o que queria dizer era que o número de visitas não é o que interessa…interessa a qualidade, mas a qualidade no sentido do que se vem à procura!! Que interessa ter 100 visitas por dia se 80% forem por “engano”, à procura de algo que nada tem que ver com o blogue? Se isso cria elites? Sei lá…o que é uma elite? Quem define o quê? Bem…
    Quanto ao que disse sobre o que vende muito, o que as pessoas gostam muito, etc., NÃO é um preconceito…não condiciona à partida, do género “nem vou tentar ler ou comprar”, mas resulta da minha experiência e de um pouco de lógica…parece evidente que o que agrada a muitos algum “defeito” há-de ter, até porque apela sempre a lugares-comuns…mas isto não quer dizer que uma coisa não possa ser boa SÓ pelo facto de agradar a muitos…olha, os Pink Floyd, por exemplo, foram sempre um sucesso de vendas e a qualidade era inegável…todavia, isto não é a regra. É isso que eu quero dizer…

  5. 2007 October 21

    Agora sim, estamos de acordo IM ;)

  6. 2007 October 24

    Pois… mas acho que brevemente vais ser impossível comentar este post :-)

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