o portão
2007 September 22
sempre que entro em casa, tenho vontade de deixar o portão aberto. mas agora de nada me vale. tu já não estás. era assim: eu chegava da escola, pressentia-te na varanda e oupa, toca lá a deixar a cancela aberta. tu vinhas e ralhavas, ralhavas, ralhavas, bradavas aos céus, com os braços levantados, que eu fazia de propósito, que era todos os dias a mesma coisa, que eu não tinha emenda, que já não era esquecimento, que era igualzinha a meu pai (e por sinal a ti) e sei lá mais o quê. e tu lá continuavas, invariavelmente, na varanda, à espera de mim e de ver o portão aberto. mas agora de nada me vale. ao fechar o portão, olho para a varanda vazia e uma tristeza indizível toma conta de mim.


Gostei de seu blog e assinei seu feed para ler com mais calma, além de receber as novidades.
Bons ventos!
José Roldão
Diário Fantástico
[ http://diariofantastico.blogspot.com ]
Ops…
Escrevi o link errado….
O Nome do blog é Diário fantástico, porém o link do meu é:
[ http://joseroldao.blogspot.com ]
Bons ventos!
Bonito… fez-me lembrar aquelas pequenas coisas que eu também fazia (como deixar a porta de cima da casa aberta) e que o meu pai me ralhava… aquilo era já um ritual. Se eu fechasse a porta, o meu pai ía para a cama com a sensação de “está a faltar qualquer coisa…esqueci-me de algo”
beijocas
É…parece que nunca aprendemos a viver com as ausências…